terça-feira, 28 de junho de 2011

A Solidão do Pastor

Pastores costumam ser pessoas solitárias, por vocação. Conheço muitos pastores que têm amigos de verdade, e, no entanto, têm forte tendência à solidão! A maior parte deles vive se remoendo, enquanto lutam com seus problemas interiores, sem poder encontrar um amigo de confiança com o qual desabafar. Não podem conversar sobre seus problemas e conflitos com os membros da igreja; e sequer com os demais obreiros. Desabafam com Deus, enquanto derramam o coração em lágrimas em seus momentos de solidão. Pastores sofrem com a solidão. Ainda que acompanhados de tanta gente e cercados de colegas ministeriais vivem sós. Geralmente os obreiros que os cercam não o fazem como amigos ou companheiros de jugo, vivem de encômios – aplaudem e elogiam em busca de cargos ou privilégios. Raramente encontra-se um amigo que viva o compromisso de ajudar o líder, a ponto de admoestá-lo com amor.

Por outro lado, o líder em evidência se põe perante os demais colegas ministeriais como gente de esfera superior, que não precisa da ajuda de ninguém, como super-homem, intocável, impecável – isto mesmo, no sentido de que nunca peca – inviolável e que sabe superar seus problemas. Perante seus amigos e colegas tem uma imagem colorida de sucesso e poder – mas tais pastores são pessoas ímbeles, débeis, fracas, e esquecem que o poder de viver integralmente a vida cristã reside na dependência de Deus e na força de seus amigos.

Pastores são como águias que voam sós e vivem nos céus distantes – acima dos problemas – mas cheios destes. Deveriam agir como águias quando a sós com Deus, e quais ovelhas de um rebanho a viver ao lado dos demais.

Eis a razão porque os pastores aprendem a sofrer calados. Choram aos pés do Senhor confessando suas faltas. E gostariam de ter um amigo por perto. Mas, desabafar a quem? Arredios e acostumados a serem traídos, inteligentemente se calam. E sofrem. Gostariam de ter um amigo para conversar sobre sexo, dificuldades com a esposa, tentações, finanças, problemas pessoais, mas sofrem, ignotos, temendo o colega infido - infiel. Imaginam que podem ser traídos e prejudicados. Que diferença a confissão de pecados que os noviços e monges faziam ao seu superior nos mosteiros! Nada do que era confessado podia ser usado contra eles em juízo. Depois que se confessava, seu superior se calava sem jamais poder usar da confissão de seu subalterno como prova de condenação em juízo. Um superior quando sabia que o noviço pecara contra a igreja não aceitava confissão, do contrário a pessoa não poderia ser questionada por ele no tribunal.

Na falta de confessores, os pastores digladiam-se internamente com seus traumas e pecados. Esquecem que a confissão traz alivio à tensão, desabafa sentimentos, cura e traz paz interior. A confissão e as lágrimas ajudam o pastor a sentir que é humano, ao mesmo tempo em que é espiritual. A confissão afasta a caligem e impede que o obreiro se torne biltre e mendaz.
O verdadeiro líder encontra noutro líder, apoio, pois ambos reconhecem a fragilidade e a tendência ao pecado do ser humano. O verdadeiro líder entende que as pessoas vivem na fraqueza, e ele também sabe que vive as mesmas fraquezas.

As Escrituras não escondem as fraquezas e as tentações dos homens de Deus, até dos mais íntimos de Jeová. Noé, Abraão, Moisés, Davi, Elias e demais homens de Deus tiveram seus momentos de fraqueza, e alguns deles são vistos em momentos de depressão, e quando o escritor aos hebreus deles se utiliza para falar da fé, não menciona, em momento algum suas fraquezas, mas a fé e a perseverança que lhes levou a obter o galardão. Todos tiveram temores. Sara, a esposa de Abraão não creu – e, no entanto aparece em Hebreus como mulher de fé! Algumas daquelas fraquezas são imperdoáveis e inadmissíveis hoje pela liderança de certas denominações.

Que pastor não tem um exemplo de traição, de um obreiro que agiu de solércia – de ardileza a relatar? Quem transmitiu ao rebanho a idéia de que nós, pastores vivemos do gáudio e do júbilo apenas? Por que o rebanho imagina que o pastor e seu báculo com seu aspecto dominante são intocáveis? Todos temos fraquezas.

Podemos recender ao perfume de Deus, ao brilho de sua glória, mas Deus sempre deixa um quê de imperfeição para manter-nos humildes diante dele. Na vida familiar uma esposa que não acompanha o obreiro ministerialmente, um filho que se desvia; um negócio que emperra; uma calúnia que nos atordoa; um pecado do qual não conseguimos nos desvencilhar; qualquer coisa, para que nos envergonhemos de nossa imperfeição. O pastor - quando olha para o espelho e vê refletido nele a glória de Deus tem a tendência de se exaltar, mas ao olhar para si mesmo, percebe que a glória de Deus que sobre ele está acentua sua imperfeição, e se põe a chorar!

Paulo tinha uma fraqueza; todos temos fraquezas. Os santos caminham com fraquezas. Sempre que pensava em contar vantagens - gloriar-se - um mensageiro de Satanás esbofeteava a Paulo. Creio que esse espinho na carne não era uma doença física, mas alguma coisa no mundo espiritual. Já que visões, sonhos e revelações estão bem acima do natural, esse espinho, bem como o demônio que o atormentava situavam-se numa esfera espiritual. Deixe-me dizer isto: certas marcas de pecado jazem em nossa mente a fim de lembrar-nos de que somos salvos e vivemos por causa da graça de Deus. Paulo orou três vezes - mas Deus não afastou a imagem que o oprimia. Deus conhece a fraqueza de Paulo e indica-lhe que terá de conviver com ela toda a vida. A resposta de Deus? "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo..." (2 Co 12.9).

"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (2 Co 4.7). Meu colega pastor deixe-me dizer uma coisa: A glória de Deus somente opera em vasos imperfeitos. E nossa imperfeição está ali, apontando para nós, dizendo-nos que precisamos de Deus, sempre! Deus deixa certas falhas nos seus filhos para que aprendam a depender exclusivamente dele. A glória e a graça de Deus vêm sobre nós escondendo nossas fraquezas. Assim como os pés dos querubins eram pés de bezerro, na descrição de Ezequiel - feios – mas brilham com a glória de Deus, nosso caminhar é santificado por sua glória.

Somos como o Mefibosete da Bíblia. Este neto de Saul, aleijado de ambos os pés; este filho de Jônatas é agora trazido para a casa de Davi e com ele come à mesa. Mas era aleijado! No entanto, suas pernas não eram vistas, ficavam encobertas sob as toalhas da mesma do rei! (2 Sm 9). Somos imperfeitos no nosso caminhar - temos pés que não condizem com a natureza de glória, estes, no entanto, têm suas imperfeições cobertas com o brilho da glória de Deus!

No meio das tribulações - sejam elas devido a erros cometidos, a falhas humanas ou vindas diretamente de Satanás, o peso de glória é eterno, acima de toda comparação (2 Co 4.18). Porque a glória que sobre nós brilha vem de Deus. Apenas refletimos a glória de Deus!

Por isso, ao descrever este relato, faço-o na certeza de que não estou traindo alguém que me confiou seus temores. A pessoa em questão pode ser você mesmo que me lê. A que me refiro está velha demais para se importar com o fato. Viajo e ministro com pastores de todas as igrejas e de todas as denominações. Alguns homens de Deus abrem sua vida comigo à busca de soluções para seus problemas pessoais. E não posso trair a confiança em mim depositada.

O velho pastor abriu seu coração comigo. Ele tinha perguntas e inquietações não respondidas. Homem de ministério ilibado, reconhecido pela igreja, contou-me que lutou a vida toda contra as tendências homossexuais que o perturbavam periodicamente. Aceitava-se como heterossexual, constituíra família, mas não conseguia entender o por quê das tentações. Tivera uma experiência ou outra quando moço, mas depois que se convertera – afirmou – jamais voltara a práticas homossexuais por considerá-las pecado. As tentações o assombravam continuamente. Jamais se livrou delas ao longo da vida.

Sofrer tentações sem pecar é o segredo da vitória. Um hino da Harpa Cristã de linda melodia, diz:
Tentado não cedas; ceder é pecar;
Melhor e mais nobre, será triunfar;
Coragem ó crente! Domina teu mal
Deus pode livrar-te, de queda fatal!

É uma alusão ao texto de hebreus 4.15: "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado (...) e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas".

É nesta confiança, amado pastor, que confessamos ao Senhor nossas faltas, porque ele nos entende. À semelhança do sumo sacerdote que vivia cercado de fraquezas e que precisava, ele mesmo fazer a purificação de seus pecados antes de expiar os pecados do povo, também nós precisamos entender que os colegas que nos cercam vivem rodeados de fraquezas, que erram, e, como nós, são perdoados.

O nosso Senhor Jesus assumiu a forma humana, "para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote, nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados" (Hb 2.17-18).

Tenha um amigo. Abra seu coração

Autor - João A. de Souza filho

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Decepção com os rumos do pastoreio moderno

O pastor herege
Gerson Freitas Jr 27 de abril de 2011 às 8:48h

“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso Ricardo Gondim, crítico dos movimentos neopentecostais. Por Gerson Freitas Jr. Foto: Olga Vlahou

“Deus nos livre de um Brasil evangélico.” Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”,  diz na entrevista a seguir.

CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?

Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.

CC: Como o senhor define esse perfil?

RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.

CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?

RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.

CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?

RG: O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way oflife de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portas de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?

CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.

RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.

CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?

RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.

CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?

RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.

CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?

RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.

CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.

RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Porque o PL 122/2006 é inconstitucional

Porque o PL 122/2006 é inconstitucional

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Antes de fazer qualquer comentário, é importante frisar que uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. No Brasil, pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, se criticamos a prática homossexual, logo somos rotulados de homofóbicos. Na verdade, o PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição, porque o projeto de lei quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.

Vejamos alguns artigos deste PL:


Artigo 1º: Serão punidos na forma desta lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual, identidade de gêneros.

Comentário: Eles tentam se escorar na questão de raça e religião para se beneficiar. O perigo do artigo 1º é a livre orientação sexual. Esta é a primeira porta para a pedofilia. É bom ressaltar que o homossexualismo é comportamental, ninguém nasce homossexual; este é um comportamento como tantos outros do ser humano.

Artigo 4º: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de 2 a 5 anos.

Comentário: Não serão os pais que vão determinar a educação dos filhos — porque se os pais descobrirem que a babá dos seus filhos é homossexual, e eles não quiserem que seus filhos sejam orientados por um homossexual, poderão ir para a cadeia.

Artigo 8º-A: Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no artigo 1º desta lei. Pena: reclusão de dois a cinco anos.

Comentário: Isto significa dizer que se um pastor, ou padre, ou diretor de escola — que por questões de princípios — não queira que no pátio da igreja, ou escola haja manifestações de afetividade, irão para a cadeia.

Artigo 8º-B: Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs. Pena: reclusão de dois a cinco anos.

Comentário: O princípio do comentário é o mesmo que o do anterior, com um agravante: a preferência agora é dos homossexuais; nós, míseros heterossexuais, podemos também ter direito à livre expressão, depois que é garantida aos homossexuais. O parágrafo do artigo que vamos comentar a seguir "constituiu efeito de condenação".

Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.

Comentário: Aqui está o ápice do absurdo: o que é ação constrangedora, intimidatória, de ordem moral, ética, filosófica e psicológica? Com este parágrafo a Bíblia vira um livro homofóbico, pois qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa que são garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. A PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.


Fonte: Associação Vitória em Cristo 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma jornada feliz e próspera

“Hoje, o exemplo negativo daquelas irmãs nos chama a atenção para o nosso papel. Que sejamos instrumentos para promover a paz, a harmonia e a reconciliação”

Evódia e Síntique eram duas conceituadas mulheres macedônicas. Elas tinham grande destaque na igreja cristã de Filipos, cidade da Macedônia oriental, a cerca de 16 quilômetros da costa do Mar Egeu. Na sua carta aos filipenses, o apóstolo Paulo cita-as nominalmente e menciona que elas deveriam se entender melhor diante do Senhor. Elas eram conhecidas por terem forte personalidade e a desavença entre ambas quebrava a harmonia e o bem-estar daquela comunidade a quem Paulo ministrava, por assim dizer, o dom da alegria, do gozo e do regozijo redobrado.

Paulo diz solenemente: “Rogo a Evódia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor” (Filipenses 4.2). A leitura pública de uma carta vinda das mãos de um homem de Deus com o caráter do apóstolo certamente poderia provocar o afastamento de ambas por iniciativa própria, pois ficariam envergonhadas – ou elas, por si mesmas, tomariam posição de compor “a alegria e coroa de Paulo” de firmeza no Senhor. Reforçando ainda que a desavença deveria ser sanada, Paulo, no versículo 3, apela para um companheiro que ajudasse aquelas mulheres. Afinal, friso, elas trabalharam com ele e desfrutaram da sua companhia pessoal, mas algo estranho estava ocorrendo entre ambas.

Curiosamente, não se tem nenhuma pista do que realmente acontecia entre Evódia e Síntique. Também, fosse qual fosse a querela, como se sabe, diante da Cruz de Cristo ninguém tem razão em nutrir contendas. Certamente, estava havendo uma ferrenha disputa que já afetava a igreja local e suas lideranças, já que comportamentos assim criam partidarismos e afetam as pessoas próximas. Tudo bem ao contrário do que Paulo ensinava – que todos deveriam “pensar concordemente”, sem nódoa de
mágoas ou picuinhas.

Além daquela desarmonia ser contrária à verdadeira fé cristã, uma outra contradição estava espelhada nos nomes das duas servas de Deus. O nome Evódia, de evodomai, significa “ir bem”, “prosperar”, “fazer uma boa jornada”. Termos semelhantes são empregados no versículo 2 da terceira epístola de João – “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas”. Evódia, como cristã, não estava fazendo uma jornada feliz de vida cristã, pois vivia na desavença. Por sua vez, Síntique – também um nome grego, que significa “afortunada” –, vivia na pobreza espiritual da falta de amor e perdão. Essas duas irmãs na fé estavam contribuindo para uma possível instabilidade da harmonia familiar dos irmãos filipenses.

Lembra a Bíblia que tudo o que está ali escrito é para o nosso proveito, como diz Romanos 15.4. Hoje, a lição negativa dessas duas irmãs nos chama a atenção para o nosso papel em nossas comunidades. Que sejamos instrumentos para promover a paz, a harmonia, a reconciliação – “cada um considerando o outro superior a si mesmo” (Filipenses 2:3), e tendo “o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (versículo 5). Assim, conforme preconizou Paulo, desfrutaremos de bênçãos tão bem sintetizadas no significado dos nomes de Evódia e Síntique: Uma jornada feliz e afortunada.

Agnaldo L. Sacramento Presidente do Ministério Shalon - ABC e membro da Academia de Letras da Grande São Paulo.

Labirintite evangélica

 

A longa reportagem de capa da revista “Época” intitulada “Os novos evangélicos” (9 de agosto de 2010) passa a impressão de que a igreja evangélica brasileira está com labirintite. Ela está tonta há algum tempo, quase caindo para os lados. Não está bêbada nem de álcool nem do Espírito Santo. A igreja está confusa, aturdida, sem saber com certeza o que abraçar e o que desabraçar, o que manter e o que descartar. A confusão aumenta porque os impacientes querem mudar tudo e os tímidos, nada. De uma coisa, não todos, mas alguns estão absolutamente certos -- aquilo que nos últimos anos foi entrando pelas frestas da igreja precisa sair. A dificuldade é fazer o inventário das “raposinhas” que entraram na vinha do Senhor e fizeram os estragos que todos devem estar enxergando (Ct 2.15). Todavia, não podemos usar isso como desculpa, pois algumas dessas “raposinhas” são bem visíveis. Daí o subtítulo da matéria de capa da “Época”: “Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas -- e propõe uma nova reforma protestante”.

Parece que o tumor está sendo espremido. Ricardo Agreste, presbiteriano, um dos entrevistados da “Época”, explica que “o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência; é de ética e honestidade”. Ed René Kivitz, batista, outro entrevistado, diz que “as pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”. Pelo que se vê, as “raposinhas” não são tão pequenas quanto se pensa. Soberba, profanação, desonestidade, hipocrisia, ciúme, inveja, ambição (tanto pelo poder eclesiástico como pelo vil metal) -- nunca foram raposas de pequeno porte!

Com problemas de tontura, certo homem procurou o médico e recebeu o diagnóstico de labirintite. Ele saiu do consultório com duas receitas. Na primeira, havia uma lista de remédios de uso contínuo. Na segunda, o médico escreveu: “Na crise: Vertix e Betaserc”.

Sem dúvida, a igreja evangélica brasileira precisa de um remédio de uso contínuo para curar sua labirintite. Porém, enquanto a cura não ocorre, ela precisa de outros medicamentos para se livrar da horrível zonzeira do momento.

Uma onda de humildade, de convicção do pecado, de arrependimento, de confissão, de conversão talvez seja de uso contínuo. O mesmo se pode dizer de outras providências. O que os evangélicos e outros cristãos podem fazer para aliviar a tontura presente? Há uma resposta não-sofisticada, não-acadêmica, não-complexa, não-duvidosa diante da igreja. Ela não está distante, não é difícil e não mexe com os dogmas denominacionais nem pessoais. A resposta que se impõe vale-se da herança comum de todo aquele que professa o cristianismo, ou seja, evangélicos e católicos, tanto no Brasil como em outra cultura.

Se a maioria dos protestantes brasileiros, históricos e pentecostais, e ainda os neopentecostais (chamados também de pseudopentecostais), se deixarem impressionar outra vez (ou pela primeira vez, caso não tenha havido a primeira) pela pessoa, pelo ensino, pela morte vicária, pela ressurreição, pela soberania e pela consumação da vitória de Jesus sobre tudo e sobre todos -- a crise de tontura acabará. E os remédios de uso contínuo produzirão a cura da labirintite evangélica!

O bispo anglicano Kenneth Cragg gosta de lembrar: “Onde estiver encoberta a beleza da cruz, ela deve ser desvendada”.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um pai, Um Perdido Longe e Um Perdido Perto

Texto: “Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado. E começaram a festejar o seu regresso.” (Lucas 15.22-24)

1. São três os principais personagens.

a) O pai.
i. Representa Deus em seu amor, misericórdia e compaixão;
ii. Deus é o pai maravilhoso sempre disposto a perdoar, não lançando em rosto a ofensa praticada pelo filho;
iii. Deus é o pai incansável que vigia pessoalmente a estrada que trará de volta o arrependido filho;
iv. Deus é o pai amoroso que oferece ao filho um abraço e um beijo de comunhão, não importando ao seu lastimável estado de miséria;
v. Deus é o pai que não faz acepção de pessoas, que luta para a unidade de sua família.

b) O filho pródigo – um perdido fora de casa.
i. Representa aquele que vive irresponsavelmente;
ii. Representa o filho que não se importa em causar dor e desapontamento aos pais;
iii. O filho que não preza a benção de honrar aos pais;
iv. São aqueles que não reconhecem o amor e o cuidado dos pais;

c) O filho mais velho – um perdido dentro de casa.
i. É aquele que está na casa do pai, mas não comunga dos mesmos sentimentos do pai, não ama e nem perdoa como o pai;
ii. É o filho que não esquece com facilidade das ofensas do passado;
iii. É aquele que não é participante da graça do pai, não se alegrando com a salvação dos perdidos;
iv. É o filho obediente e legalista, porém jamais usufruem da comunhão plena do pai;
v. É o filho que não conhece a qualidade de um pai que a todos concede uma segunda chance.

2. A parábola é divida em três níveis.
a) Em casa;
i. Quebrando regras e bons costumes;
ii. Falta de respeito com a família.

b) Longe de casa;
i. A vida desregrada cheia de amigos e dissolução;
ii. O fim amargo junto aos porcos de um irresponsável;
iii. A trama para voltar para casa.

c) De volta para casa.
i. A estratégia para comover um pai piedoso;
ii. O maravilhoso e inesperado abraço reconciliador do pai;
iii. O doloroso processo de restauração antes da festa da comunhão.

3. Os três objetos da restauração.

a) A melhor roupa. A roupa fala da cobertura dos nossos pecados. (Hb. 8.12; Rm. 3.23; Jô. 8.36);
b) O anel. É um símbolo de autoridade, representa que ele havia sido aceito não como escravo, mas como filho. O filho tem direitos que não são oferecidos a um escravo.

d) O calçado. Representa nossa condição de filhos livres que gozamos na presença do pai. Um escravo andava descalço, sendo facilmente identificada a sua condição social apenas ao olhar para os seus pés.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ressurreição Incessante


Ressurreição Incessante
Por: Reinhard Bonnke - 29/12/2009

Os começos de Deus são diferentes. Eles continuam começando e começando. Por exemplo, Jesus disse, "Eu vim para que tenham vida" (João 10:10), mas isto não quer dizer que Ele veio e nos deu vida, e pronto, ficamos cheio desta vida pro resto de nossa existência. É como aquele hino adorável e antigo que diz, "Momento após momento eu recebo vida do alto," isto é a ressurreição incessante. Nós estamos sendo salvos dia após dia.

Eu estou falando sobre um novo começo, mas existem velhos começos, quando a mesma velha rotina começa e recomeça. Quando Paulo estava em Éfeso, sua pregação do evangelho aborreceu os comerciantes, que ganhavam seu sustento fazendo e vendendo deuses (Atos 19:24-28). Eles estavam sempre fazendo aqueles pequenos e idênticos deuses, "como em uma linha de produção", como dizem os Teólogos, simbolizando sua monótona religião de ritos e práticas - como as muitas religiões de hoje. As pessoas ficam murmurando mantras de uma só palavra por horas, ou orações sem significado como "Oh, a jóia do botão de lótus." Existe algo mais enfadonho do que isto?

Deus só tem novos começos. Todos os seus começos são novos, criativos e cintilantes. Ele é o Deus da nova vida, do novo vinho, das novas canções, de um novo compromisso, de um novo mandamento, de novos tesouros, do novo homem, de uma nova doutrina, de um novo e vivo caminho, de um novo reino e de uma nova verdade. Nós somos novas criaturas em Cristo Jesus. Jesus nos oferece muito mais que hinos e sermões. Não há clichês e nem monotonia em Jesus Cristo.

Quando olhamos para o futuro, temos a promessa de um novo nome em uma nova cidade. As coisas velhas já passaram e tudo se fez novo. A Bíblia começa com um final - Deus terminou todo o Seu trabalho (Gen. 2:2) - mas termina com um começo, em Apocalipse, um novo céu e uma nova terra. Deus declara: "Veja que faço novas todas as coisas" (Ap. 21:5).

Jesus não fez uma religião, um caminho para Deus. Ele é "o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6). Além do batismo e da Santa Ceia do Senhor, Ele não impôs observância, rituais, nada que normalmente constitui uma religião. Comparar a fé Cristã com quaisquer outras é uma comparação muito desigual, é como comparar um peixe com uma ave. Jesus simplesmente fez as coisas acontecerem no mundo e nos corações das pessoas, como em um rio de energia nova. Você não pode chamar um rio de "uma religião". Cristo não comunica "experiência religiosa" no sentido popular, como pode ter sido sentido por turistas que se arrastam em admiração em torno de uma catedral cheia de relíquias aos mortos, ou como eles são movidos por um importante ritual. Se qualquer um pensa que a presença de Cristo tem o mesmo efeito que um vidro pintado e a indistinta luz "religiosa", sua ignorância não traz felicidade

Jesus falou com a mulher que estava tirando água do poço em Samaria, e prometeu a ela "fontes de água jorrando para a vida eterna" (João 4:14). A água de poço é uma água parada. Peixes não podem viver em poços. A água viva, descendo como uma branca espuma sobre a rocha, está cheia de oxigênio. Hoje, a mim me parece que esta demasiada oferta de prazer é de segunda mão, desinteressante, engarrafada, enlatada ou armazenada como em velhos filmes ou canais de televisão cheios de repetição. Jesus não nos enfada com as mesmas coisas antigas, com rotineiras apresentações nas igrejas. Em tudo há criatividade - o Espiríto de Deus está se movendo, não está parado. Nós não vamos à igreja por causa de uma atmosfera religiosa, mas para que os ventos celestiais possam mexer conosco. Este tipo de culto "acaba com o barato" de algumas pessoas tradicionais - vento e ar fresco também, pois são muito saudáveis.

Paulo diz, "Nem circuncisão ou incircuncisão significam alguma coisa, o que conta é uma nova criatura" (Gal.6:15). Deus faz coisas novas. Ele não dá retoques. Qualquer artista verdadeiro preferiria pintar um novo quadro do que consertar o trabalho de outra pessoa, removendo marcas e descoloração e tentando combinar cores. Deus não está interessado em fazer o melhor de um trabalho ruim. Ele começa tudo de novo. Ele não camufla as trincas em um vaso de cerâmica; Ele faz um novo na roda do oleiro.

Jesus não espera para ver se um homem ou uma mulher tem potencial. Ele não precisa esperar até ficarmos no "fundo do poço" para sua graça nos restaurar. Ele é o Criador - sempre. Somos criação de Deus, criados em Cristo para boas obras (Ef. 2:10). Aquele Espírito recriador comunica uma vida de constante renovação. Sua vida criativa está trabalhando a cada momento do dia.

Existe alguma coisa como um novo começo? Sim, realmente existe. Mas é algo que não tem fim.