quarta-feira, 22 de abril de 2009

Rick Warren pede perdão a homossexuais

Warren afirmou que “nunca deu nenhum apoio” à emenda defendendo o casamento.

Warren arrepende-se de ter apoiado Proposta 8, medida que protege casamento na Califórnia contra investida da agenda gay. Rick Warren, pastor de mega-igreja na Califórnia e autor do livro Uma Vida Com Propósitos, pediu perdão a seus amigos homossexuais por fazer comentários em apoio da Proposta 8 da Califórnia.

Essa proposta, defendida por evangélicos, católicos e outros religiosos, tinha como objetivo proteger a instituição do casamento contra os ataques legais de ativistas homossexuais.Warren agora afirma que ele “nunca deu nenhum apoio” a essa emenda defendendo o casamento.
Na segunda-feira de noite, no programa de TV Larry King Live, da CNN, o Pr. Rick Warren pediu perdão por seu apoio à Proposta 8, dizendo que ele “nunca foi e nunca sera” um “ativista contra o homossexualismo ou contra o casamento gay”.

No entanto, duas semanas antes da votação da Proposta 8 em 4 de novembro, o Pr. Warren distribuiu nota apoiando explicitamente a emenda de proteção ao casamento, ao se dirigir aos membros de sua igreja. “Apoiamos a Proposta 8. E se vocês acreditam no que a Bíblia diz sobre casamento, vocês precisam apoiar a Proposta 8 também”, disse ele.

A seguir a transcrição completa do comentário de Warren poucas semanas antes da votação da Proposta 8:
A hora da eleição está chegando, em apenas duas semanas, e espero que vocês estejam orando sobre seu voto. Uma das propostas que, evidentemente, quero mencionar é a Proposta 8. Essa proposta havia sido instituída porque os tribunais rejeitaram a vontade do povo. E um tribunal com quatro caras realmente votou para mudar a definição de casamento que exite há 5.000 anos.
Ora, permita-me dizer isto realmente com clareza: apoiamos a Proposta 8. E se vocês crêem no que a Bíblia diz sobre casamento, vocês precisam apoiar a Proposta 8. Nunca apóio um candidato, mas em questões morais eu me manifesto bem claramente.

Essa é uma questão, amigos, em que todos os políticos tendem a estar de acordo. Perguntei diretamente para Barack Obama e John McCain: qual é sua definição de casamento? E os dois disseram a mesma coisa: é a definição tradicional, histórica e universal do casamento — um homem e uma mulher, para a vida inteira. E todas as culturas durante 5.000 anos, e todas as religiões durante 5.000 anos, disseram a mesma definição: casamento é entre um homem e uma mulher.

Ora, eis algo interessante. Os gays e as lésbicas são apenas dois por cento da população americana. Não devemos deixar que dois por cento da população decidam mudar uma definição de casamento que tem o apoio de todas as culturas e todas as religiões há 5.000 anos.
Essa não é uma questão exclusivamente cristã. É uma questão humanitária e humana que Deus criou o casamento para o propósito de estabelecer a família, o amor e a procriação.

Por isso, incentivo vocês a apoiar a Proposta 8, e a repassar essa mensagem para outros. Vou distribuir uma nota aos pastores mostrando o que é que creio nessa questão. Mas todos sabem no que creio. Eles me ouviram no Fórum Civil quando perguntei a Obama e McCain sobre suas opiniões.

Entretanto, durante sua entrevista à CNN na segunda-feira, Warren expressou remorso por apoiar a Proposta 8. “Escrevi a todos os meus amigos gays — os líderes gays que eu conhecia — e realmente lhes pedi perdão”, confessou ele.Além disso, o Pr. Warren disse que ele não queria comentar ou criticar a decisão da Suprema Corte de Iowa, EUA, da semana passada de legalizar o “casamento” homossexual porque “isso não é sua agenda”.

O Dr. Jim Garlow, pastor sênior da Igreja Wesleyana Skyline em San Diego, ajudou a liderar a campanha da Proposta 8 na Califórnia. Garlow admite que está confuso e preocupado com a decisão do Pr. Warren de pedir perdão por ter apoiado a Proposta 8.

“Historicamente, quando instituições e indivíduos recuam de convicções acerca das verdades da Bíblia, só um fator leva a isso: o medo de perder o respeito das outras pessoas. Em outras palavras, preocupar-se mais com o que as outras pessoas vão pensar do que com o que Deus pensa”, concluiu ele.


Fonte: Jornal A Hora / OneNewsNow / Júlio Severo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deus não se serve apenas da cúpula eclesiástica e dos pós-graduados

Em artigo publicado no Jornal do Brasil (03/09/07, A12), Leonardo Boff lembra que no quarto século quase todos os bispos aderiram à heresia arianista, segundo a qual Jesus é apenas semelhante a Deus, e não imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15). “Foram os leigos que salvaram a Igreja, proclamando Jesus como Filho de Deus”, acrescenta Boff.
É preciso lembrar que foi uma mulher (Débora) e não um homem (Baraque) que tornou possível a vitória de Israel sobre o rei de Canaã e sobre seus novecentos carros de ferro, depois de vinte anos de opressão (Jz 4).
É preciso lembrar que foi o caçula de Jessé, um rapaz da roça, e não o rei Saul e seu exército, que derrubou o gigante Golias, de quase três metros de altura e livrou os israelitas dos filisteus (1Sm 17).
É preciso lembrar que foi uma adolescente, e desterrada que levou Naamã, comandante em chefe do exército assírio, a curar-se da lepra (2Rs 5.1-19).
É preciso lembrar que foi um menino, e não um adulto, que ofereceu seus cinco pães de cevada e dois peixinhos para Jesus multiplicar e matar a fome de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças (Jo 6.9, NTLH).
É preciso lembrar que é do coração e da boca das crianças e dos recém-nascidos, e não dos marmanjões, que Deus suscita o perfeito louvor (Mt 21.16).
Finalmente é preciso lembrar que foi um ex-perseguidor e torturador dos cristãos (Paulo), e não Pedro, nem Tiago nem qualquer outro dos mais influentes líderes da igreja, que a livrou do legalismo, a praga que diminui o valor da graça e aumenta o valor da lei (Gl 2.11-21).
Enquanto a sociedade supervalorizava e supervaloriza os doutores, os poderosos, os nobres de nascimento e a hierarquia, eclesiástica ou secular, Deus continua livre para eleger e usar a seu bel-prazer as pessoas que, sob o ponto de vista humano, parecem desprezíveis e insignificantes (1Co 1.26-29).
Revista Ultimato - 12/2007

O triunfalismo dos super-crentes

As críticas contra o chamado “evangelho da prosperidade ou triunfalista” foram uma constante durante o X Encontro para a Consciência Cristã, promovido pela VINACC, no Parque do Povo, em Campina Grande, Paraíba, durante o período de Carnaval. O presbítero paulista Paulo Cristiano, do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), lamentou a postura de igrejas tidas como cristãs, mas que pregam uma mensagem teologicamente equivocada sobre a conquista de vitórias e a prosperidade por parte dos evangélicos. “Existe uma falsa pregação dando conta de que crente é uma espécie de deus, pois não pode ficar doente, pobre e sofrer qualquer problema existencial, a exemplo da depressão, um dos maiores males dos tempos modernos”, afirmou.
Segundo ele, problemas como a depressão podem até mesmo atingir os mais fiéis servos de Deus, citando o caso de Elias, no Antigo Testamento, e até mesmo o Senhor Jesus Cristo, que passou por momento de profunda angústia. “Depressão não é pecado. Pecado é o cristão não deixar Deus intervir em seu problema. Deus é o melhor psicólogo do mundo e muitos casos de depressão podem ser curados mediante fé e oração. O que não pode é a pessoa imaginar-se imune à dor e à depressão, como pensam ou apregoam as igrejas triunfalistas”, declarou.
Para o pregador, outro grande problema é que “igrejas triunfalistas” ou do “evangelho da prosperidade” se afastam de Deus e da Bíblia, usando, como meio para atrair adeptos, falsos milagres, espetáculos e explosões emocionais. Com isso, conforme destacou, as pessoas problemáticas criam falsas expectativas e terminam se decepcionando com o que pensam ser o “evangelho”.
Fonte: www.paraiba.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2009

A Pregação nos Cutos Está Ultrapassada?

"Como dizem as Escrituras Sagradas: "Todos os que pedirem a ajuda do Senhor serão salvos." Mas como é que as pessoas irão pedir, se não crerem nele? E como poderão crer, se não ouvirem a mensagem? E como poderão ouvir, se a mensagem não for anunciada? E como é que a mensagem será anunciada, se não forem enviados mensageiros? As Escrituras Sagradas dizem: "Como é bonito ver os mensageiros trazendo boas notícias!" Mas nem todos aceitam a boa notícia do evangelho. Foi Isaías quem disse: "Senhor, quem creu na nossa mensagem?" Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo." (Romanos 10: 12-17 - BLH)
É com muita preocupação que vejo nos cultos chamados de 'modernos', se é que existe a necessidade de se modernizar um culto, a priorização dos cânticos em detrimento da pregação da Palavra de Deus. Dizer que existe a priorização é uma forma contida para não dizer que existe mesmo é a exclusividade deste. A Palavra de Deus em nossos cultos de adoração tem se reduzido a uma leitura inicial tão simplista que na maioria das vezes nem é percebido por todos os presentes.
Quando uma pessoa está se preparando em casa para ir a igreja, já de antemão imagina o que Deus irá falar com ela através da Palavra, ou pelo menos assim deveria ser. Uma alma ansiosa ou anelante, que entra em um santuário no momento de um culto, almeja ter sua fome espiritual saciada pela exposição de um evangelho que tem o poder de transformar vidas. É pela ação do Espírito Santo, inculcando e convencendo o homem de seu estado de pecado, enquanto se é pregada a Palavra, que temos as descisões por Cristo, que andam atualmente tão escassas, ou porque não dizer extintas.
Existe uma onda no meio evangélico atual, que deslavadamente estão tentando denominar de 'renovação', mas que na realidade não passa de inovações, que não trazem nenhum benefício para a igreja, ao contrário, está levando ao esfriamento espiritual e a extinção quase por completa da operação do Espírito Santo.
Voltemos imediantamente, sem mero saudosismo, a buscarmos o brilho perdido dos cultos animados e cheios da Graça de Deus que a igreja experimentou a alguns anos passados. Estamos correndo o risco de perdermos definitivamente nossa identidade espiritual, alegrando com isso a única pessoa que se beneficia desta dita modernidade na igreja, nosso adversário, que a própria palavra diz que "anda em derredor procurando a quem possa tragar".

quinta-feira, 12 de março de 2009

Deu no caderno de Esportes do UOL

Igreja promove competição de vale tudo para atrair jovens
Fonte: Do UOL Esporte em São Paulo - 12/03/2009 - 09h21

Conhecida por ser a igreja do meio-campista Kaká, por sua sede ter desabado este ano e por seus criadores terem sido presos nos Estados Unidos, a Renascer novamente chama atenção. Dessa vez a novidade é a disputa de torneios de vale tudo em sua sede em Alphaville, na cidade de Barueri, região oeste da Grande São Paulo.

Comandado pelo pastor Mazola, a igreja fez um torneio da modalidade permeado por cultos durante os intervalos. A idéia da Renascer é fazer com que o público jovem crie interesse pela religião. "Queremos atrair mais jovens. Cerca de 60 deles entregaram a vida para Jesus", conta o bispo Leandro Miglioli, de 33 anos.

A igreja também busca tirar os adolescentes do mundo das drogas por meio das artes marciais, tanto que o ringue utilizado no torneio de MMA fica aberto durante a semana para treinos de jiu-jítsu. "Quem vem aprende esporte e larga os vícios do mundão", disse Emerson Silva para a reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Sem contar com álcool ou cigarros, comuns nos torneios de vale tudo, a competição reuniu frequentadores das academias da região e foi até as 3h30 da madrugada. Satisfeita com a receptividade do público, a igreja Renascer fará outro evento este ano.
Minha opinião: Mesmo correndo o risco de ser chamado de fariseu, não vou me esquivar de responsabilidade de opinar a respeito desta matéria.
Imaginem a seguinte cena - Jesus e os discípulos vestidos de kimono, o Mestre - sem trocadilho mesmo, ensina os presentes que rodeiam o ringue sujo de sangue, sobre a responsabilidade cristã de amar ao próximo. Começa o combate. Pobre Pedro! Não terá nenhuma chance de vitória. Num momento de cochilo de Pedro, o Mestre lhe aplica um golpe certeiro levando-o à lona. Pedro no chão percebe que seu nariz está quebrado, sem tempo para o revide, é surpreendido pelo Senhor numa sensacional chave-de-braço. Tranquilamente, enquanto lhe quebra o braço, Ele fala sobre as 490 oportunidades de perdão que Pedro terá para oferecer-lhe.
Parece piada? Acha que estou tomando em vão o nome do Senhor? Não é meu próposito! Estou apenas sendo irônico, e com uma leve pitadinha de sarcasmo. Desculpe-me, não contive!
Uma das grandes verdades do Cristianismo é que todos os salvos se assemelhem ao Mestre Jesus. Não creio que o evangelho perdeu seu brilho e sua capacidade de chamar atenção de quem quer que seja.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Você é esse homem!

O texto de 2 Samuel 12 fala da forma sutil e sábia como o profeta Natã mostrou a Davi a gravidade de seu pecado. Algumas singularidades desta passagem mostram o perfil de um homem de Deus, que pelo simples fato de ser homem, poderia utilizar-se do deslize moral e espiritual do rei para tirar proveito para si mesmo.

O primeiro verso mostra sem rodeios, o fator motivacional do ministério profético de Natã, "E o SENHOR enviou..."

O pecado praticado por Davi foi tão grosseiro e requintado em crueldade, que a discrição não pode ser considerada como marca registrada neste episódio. O que podemos, então, inferir duas coisas:

Primeiro, havia por parte de Davi a certeza da impunidade, motivada pelos prósperos anos de reinado, após ter subjugado os maiores inimigos de Israel.

Segundo, um pecado de tamanha gravidade, praticado sem qualquer pudor, certamente era do conhecimento da grande maioria de pessoas no reino.

Mas a despeito de tudo, Natã permanecia inabalável no seu lugar. Não podemos confundir sua ação com apatia, ou mesmo omissão. O profeta tinha total conhecimento dos fatos, das pessoas envolvidas, da provável repercussão e das consequências que um ato de covardia e injustiça poderia provocar na nação de Isarel, mas não ousou mencionar uma só palavra em direção ao ungido de Deus, sem que antes estivesse totalmente convicto da direção divina para tal.

Natã foi um tipo de profeta que apesar de sua lealdade ao rei, não era frequentador assíduo do palácio. Todas as oportunidades em que o nome do profeta é mencionado, é por causa de algo totalmente relacionado a vontade de Deus para Davi e seu reino. Vamos sintetizar da seguinte maneira: Natã não usava do expediente de tentar manipular o estado através de seu ministério.

Quando é anunciado a Davi a presença de Natã no palácio, imediatamente o rei já sabia que se tratava de coisa muito séria. Natã focado na sua missão logo mostra a que veio. Como um profundo conhecedor do caráter de Davi, sabia que uma das mais notáveis qualidades do soberano era seu inegável senso de justiça.

Uma história muito bem articulada é o suficiente para fazer florar, como num arroubo, a justiça de Davi. As palavras de indignação do rei e sua sentença ao rico opressor, mesmo de formna inconsciente e inadivertida é a sentença que faz a si mesmo. O despertamento vem com a frase: Você é esse homem! Imagino um Davi estupefado, ofegante, inerte, com os olhos arregalados e com a face ruborizada. Como diria os jovens de hoje numa linguagem bem sugestiva - a casa caiu!

Davi está caído, é uma presa indefesa e fragilizada por um contra-golpe certeiro. As palavras de Deus que são proferidas pelo profeta são misturadas com choro e um lamento arrependido do rei infiel. No meio de uma correção divina um salmo de arrependimento é entoado.

Consigo mentalizar Natã ao profetizar não conseguir conter as lágrimas que teimosamente insistem rolar em sua face. Imediatamente após ao oráculo, uma palavra de misericórdia é proferida. Junto com o castigo veio o perdão e a certeza de que não seria dessa vez que a morte alcançaria o rei de Israel.

Tiro da atuação do profeta Natã uma lição muito grande para minha vida ministerial: O amor é a ferramenta mais importante para o exercício da obra de Deus. Como aconselhar, corrigir ou mesmo disciplinar uma pessoa, sem antes confrontar estes procedimentos ao crivo do amor?

Quando criança me lembro de meu pai usar um pequeno pedaço de madeira, chamada de 'galga', que era meticulosamente medida para servir de padrão, de maneira a distanciar uniformemente o madeiramento de uma casa.

No reino de Deus também temos uma 'galga', um instrumento poderoso que utilizamos para basear todas as ações que praticamos para e por Deus. Esse instrumento chamamos de amor.

Jesus Breve Voltará!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pastorear em meio ao caos

por Ricardo Agreste da Silva

Domingo, oito horas e cinqüenta e oito minutos. Assentado num dos primeiros bancos do templo, levanto os olhos para verificar se os músicos já estão prontos. Todos têm uma cópia da liturgia do culto, a qual foi previamente preparada durante a semana. Olho para minha Bíblia para verificar se o esboço do sermão está colocado no lugar exato da passagem a ser lida. Olho ao redor e vejo todos bem arrumados e assentados e, aparentemente, prontos para adorar a Deus e ouvir Sua palavra. Levanto-me e caminho até a frente para saudar a todos. Tenho em mim certa sensação de que tudo está sob controle. Assim, aos domingos a vida pastoral não parece ser tão difícil. Exige certo trabalho, sim. Mas, com alguma dedicação e preparo prévio, tudo pode ser arranjado de forma que esteja sob controle.

Terça-feira, oito horas e cinqüenta e oito minutos. Após um agradável dia de folga, estou iniciando uma nova semana de serviço pastoral. Logo pela manhã, recebo um telefonema de uma mulher que no último Domingo, assentada de braços dados com seu marido, participava de forma contagiante do culto. Com a voz trêmula, ela informa que o marido acabou de deixar a família. No dia seguinte, recebo a notícia de que um dos presbíteros da Igreja, um dos que participaram da Ceia do Senhor no último Domingo foi hospitalizado em caráter urgente e precisa ser submetido a uma cirurgia muito delicada. Na Quinta-feira entra no gabinete pastoral uma das jovens da equipe de louvor. Cumprimento-a pela linda música que cantou no culto de Domingo. Em seguida, sem levantar os olhos, ela conta-me que está grávida de seu último namorado. Chego na Sexta-feira precisando preparar a mensagem e a liturgia do próximo Domingo com a sensação de que tudo está fora de controle e o mundo retornou ao caos.

Assim, como muitos outros pastores, deparo-me com a realidade de que, apesar do Domingo ser um dia essencial no serviço pastoral, muito deste ministério precisa ser feito em meio ao caos de Segunda a Sábado. Para o aumento de meu desespero, constato que recebi muitas ferramentas para ser um bom pastor no ambiente dominical, mas estou desprovido de recursos para lidar com o mundo hostil de Segunda a Sábado. Preciso então desenvolver a arte de pastorear em meio ao caos, ou como Eugene H. Peterson coloca, "a arte de orar em meio ao tráfico".

Vender Mapas ou Guiar Vidas
Certa vez, lendo e meditando sob o encontro de Filipe com o oficial etíope descrito no capítulo oito de Atos, fui conduzido a uma profunda reavaliação de meu ministério diante de um comentário sobre o verso 31. Segundo o relato bíblico, após ser questionado por Filipe quanto à compreensão do que vinha lendo, o oficial etíope respondeu com outra pergunta: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?"

Sempre tive por óbvio o sentido do verbo aqui traduzido por "explicar" até que percebi que o termo grego ali usado é o verbo hodogéu (guiar ou conduzir). Este verbo foi utilizado na antigüidade para definir a atividade dos guias que conduziam pessoas através do deserto. Eles tinham os pés nos mesmos caminhos que as pessoas que guiavam, enfrentavam o calor do meio-dia, bem como o frio das noites.

Em franco contraste com a imagem dos guias, temos os vendedores de mapas. Estes últimos se apresentam das formas mais criativas, possuem idéias tremendas acerca dos desertos, são detentores de um grande poder de persuasão e prometem muitas vantagens aos interessados em seu produto. No entanto, eles não ousam caminhar ao lado das pessoas debaixo do sol escaldante ou em meio às noites frias. O papel deles restringe-se a oferecer mapas para os mais variados desertos da vida.

O oficial etíope, quando questionado por Filipe, declara a necessidade de ser acompanhado por um guia através de sua jornada espiritual. Em Atos 8.31 encontramos Filipe entrando na carruagem, sentando-se ao lado do oficial e seguindo com ele o caminho. E, começando por onde aquele homem se encontrava, guiou-o até Jesus (Atos 8.35). A opção de Filipe não é a de vender mapas, mas de guiar aquele homem.

O ministério pastoral, quando centralizado somente nos eventos dominicais, em muito pode se aproximar da atividade desenvolvida pelos vendedores de mapas. O ambiente pode ser preparado para inspirar, a música ensaiada para emocionar e as palavras elaboradas para motivar, mas, o distanciamento das pessoas e do caos em que vivem pode fazer deste momento um ato de se vender mapas. Diferentemente, quando o ministério pastoral é vivido em meio ao caos e há disposição de se estar próximo e atento às crises e às dores das pessoas, a imagem cristã do guia espiritual é resgatada na comunidade. O pastor torna-se aquele que ministra com relevância não apenas aos Domingos, mas especialmente entre Domingos, guiando e conduzindo pessoas através das crises e em meio ao caos.

Oração, Escrituras e Mentoria
No desafio de pastorear vidas em meio ao caos, creio que um dos grandes obstáculos que encontramos na atualidade é a visão errônea de que cabe a nós, pastores, a tarefa de resolver problemas. No mundo científico-industrial em que vivemos, problemas são vistos como barreiras a serem transpostas, e isso de forma mais prática e imediata possível. Assim, espera-se que "bons pastores" sejam pessoas prontas para responder a qualquer questão, para dar o palpite certo em tempos de indefinição e para orar com "eficácia" diante da enfermidade, desemprego, crise familiar, entre outras coisas.

Diferentemente, na tradição cristã, os problemas são vistos não como barreiras a serem transpostas de forma imediata e pragmática, mas, como mistérios a serem explorados. Por sua vez, os pastores não são vistos como miniaturas de Deus que resolvem os problemas que lhe são apresentados, mas, como homens e mulheres prontos a caminhar, em amor e em discernimento, ao lado daqueles que enfrentam a crise e o caos. Nesta jornada, mais importante do que a solução para a dor é a percepção de Deus e de Sua ação.

Por isso, como pastores, precisamos resgatar a prática da oração. Na medida em que oramos, ganhamos sensibilidade para perceber o que Deus está fazendo em nossas próprias vidas. Nossa própria história ganha sentido na medida em que percebemos o mover de Deus em nossa existência, nos conduzindo, nos lapidando e nos amando. A oração, diferentemente de muitas práticas contemporâneas, nos torna mais prontos ao mover de Deus e à confiança no que Ele está fazendo.

Além da oração, precisamos também resgatar a leitura sensível das Escrituras. Quando lemos e meditamos nas Escrituras, ganhamos sensibilidade para perceber como Deus está, constante e ativamente, presente na vida de Seu povo ao longo da História. A leitura das Escrituras oferece-nos a percepção e a convicção de que não existe casualidade, nem mesmo fatalidades. Por detrás de eventos e encontros, Deus está agindo na vida de Seu povo e a nós cabe estarmos sensíveis e atentos ao Seu mover.

No entanto, tanto a oração e a leitura sensível das Escrituras não podem ser tidas por práticas alienadoras e individualizantes. Ambas nos exercitam rumo ao pastoreio de vidas como guias que conduzem pessoas através do caos. Enquanto a oração nos convida à sensibilidade para com a ação de Deus em nossas próprias vidas, a leitura das Escrituras nos conduz à percepção da ação de Deus na História. No entanto, ambas nos preparam para a mentoria, a sensibilidade para com o que Deus está fazendo na vida daqueles que nos cercam.

Conclusão
Antigamente, como afirma Eugene Peterson, não existia muita diferença entre o que o pastor fazia aos Domingos e o que realizava entre Domingos. Tanto aos Domingos como entre Domingos, a tarefa pastoral era caracterizada pelo serviço de guiar homens e mulheres ao longo de seus desertos existenciais, através de suas crises e dores. Neste serviço, pastores faziam uso da oração e da leitura das Escrituras. No entanto, atualmente, o serviço pastoral tem se distinguido em "Ministério aos Domingos" e "Ministério entre Domingos". E a grande mudança tem se dado no caráter das atividades que um pastor faz "entre Domingos", as quais têm sido grandemente definidas como práticas para "tocar uma Igreja" assim como um empresário toca sua empresa.

No entanto, estou convencido de que a grande carência de nossas igrejas na atualidade não é a de grandes visionários com suas propostas megalomaníacas, nem de marqueteiros com suas técnicas para aumentar a visibilidade e a aceitação das igrejas no mercado, nem muito menos de "vendedores de mapas" que articulam com maestria as palavras. Nossas igrejas estão necessitando de pais dispostos a viver com seus filhos, conduzindo-os através de suas limitações e crises, com amor e paciência na direção da maturidade em Cristo Jesus. Nossas comunidades precisam de guias que, através da oração e da Palavra, ajudem as pessoas a caminharem através de suas crises e a viverem em meio ao caos.


Sobre o autor: Ricardo Agreste é pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera e Professor no Seminário Servos de Cristo em São Paulo.